Cinema São Jorge

O ex-prefeito Jorge Silva é descrito por seus filhos Henrique Fernando, Jorge e Wagner sempre como um visionário, de espírito empreendedor, e sobretudo como um romântico. Gostava muito de cinema e via a necessidade de se ter entretenimento desta natureza em Maricá. Henrique, o filho mais velho, lembra que foi ele mesmo quem projetou o desenho do cinema, fazendo de tal forma que pudesse funcionar tanto como cinema quanto como teatro, contando inclusive com um camarim debaixo do palco. A construção começou por volta do ano de 1962, inaugurando-o cerca de dois anos depois na Rua Domício da Gama, onde hoje está uma igreja, próxima ao Cinema Henfil, com a exibição do filme épico italiano “El Cid”, protagonizado por Charlton Heston e Sophia Loren. O evento foi uma grande festa, lotando o cinema.

Jorge e Wagner recordam que havia exibições de segunda a quarta, quando geralmente o movimento era menor, e de quinta a domingo, quando passavam-se as fitas mais populares e havia maior público. Segundo Maria Penha, durante os anos de seu funcionamento, o Cinema São Jorge foi o maior entretenimento em Maricá. Quem fazia a programação era o próprio Jorge Silva, que contava com conselhos da família e de seus fregueses, que passavam pela casa do ex-prefeito comentando o que achavam dos filmes e faziam sugestões à programação. Segundo nos contou Henrique, os filmes que mais faziam bilheteria eram, em primeiro lugar, os filmes mexicanos, em segundo os filmes românticos e em terceiro, os filmes épicos. Os irmãos recordam-se de filmes como “El Cid”, “Helena de Tróia”, “O Sol por Testemunha”, “Assalto ao Trem Pagador”, “Os Paqueras”, “Ben-Hur”, “Manto Sagrado”, “Cleópatra”, além de vários filmes brasileiros da chamada “chanchada” e outros como “O Gordo e o Magro”, “Os Três Patetas” e os filmes de Mazzaropi, que eram geralmente exibidos em uma programação especial em comemoração ao dia das crianças, quando Jorge Silva convidava as escolas da cidade para levar seus alunos para assistir aos filmes gratuitamente.

Jorge Silva comprou seu equipamento de projeção em São Gonçalo e teve durante todo o período em que o cinema esteve em funcionamento um único projecionista responsável pelos três projetores do cinema. Seu Paulo, vindo de Niterói, fixou residência em Maricá, onde até hoje vivem seus filhos, foi o único a operar a projeção do Cinema São Jorge, autodidata, continuou trabalhando com Jorge Silva na prefeitura, como mecânico.

Segundo contam seus filhos, havia na fachada o letreiro “Cinema São Jorge”, na entrada, a bilheteria com os cartazes dos filmes que eram levados, e a bombonière, onde trabalhava Seu Nande, Sr. Fernando Henrique, avô dos entrevistados e pai do ex-prefeito. Havia uma entrada pela esquerda, que levava diretamente à sala de exibição com as cadeiras de madeira enfileiradas, e outra pela direita, com uma escada que levava até a sala onde ficavam os projetores, e também ao balcão superior, onde havia mais fileiras com cadeiras. O balcão era raramente utilizado, sendo aberto apenas em ocasiões de exibição de filmes importantes, nas quais compareciam as autoridades e a sala de cerca de 300 lugares ficava lotada.

O espaço hospedou também algumas edições do Festival da Canção e formaturas. Segundo nos contou Maria Penha, à época em que Jorge Silva já havia sido eleito prefeito da cidade, a atividade cinematográfica já estava entrando em decadência, o que no entanto, não causou o fechamento imediato do espaço, que continuou sendo usado como teatro para apresentações, comícios, festivais e formaturas.

 

*Esta pesquisa foi realizada a partir de entrevistas, matérias de jornais e pesquisa bibliográfica que compuseram um primeiro conjunto de informações expostas aqui. Caso queira contribuir com sugestões, novos dados ou lembranças que acrescentem ou retifiquem algum dado, entre em contato por aqui. 

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