Cine Maricá

Principal equipamento cultural em Maricá ao longo dos anos de 1930 e 1940, o Cine Maricá reúne histórias de diversas famílias maricaenses, dos empreendedores que alavancaram a cidade e da própria história do cinema, além de inúmeras experiências estéticas e afetivas que aconteceram dentro da sala.

O prédio, propriedade ao Sr. Jacinto Caetano, foi alugado por diversos empreendedores que viram na exibição cinematográfica uma atividade rentável, embora o cinema tenha sido fechado e reaberto sequencialmente. Assim, ao final de 1930 o Cine Maricá pertenceu ao Sr. Oscar, depois à Família Pimentel, ainda com os aparatos de cinema mudo. Com a falência da sala, os equipamentos são vendidos e posteriormente os irmãos Sérgio Pereira e Pedro Paulo Pereira ou "Seu Pedro Sapateiro", que reabrem o espaço reinaugurando-o já com os aparatos do cinema sonoro - seu filho mais velho, aos 11 anos era o projecionista. A sala foi repassada ao Sr. Danilo, economista e empreendedor de fora da cidade, que logo depois desiste de manter a atividade de exibição. Novamente o Sr. Pedro Pereira, sem aceitar que o cinema na cidade morresse, reassume o Cine Maricá em 1946. Neste período quem opera o projetor é o seu filho mais novo, Pedro Mendonça.  Por último a sala foi assumida pelos senhores Eduardo Pinto e o dentista Walter D'Giorgio e poucos meses depois fecha em definitivo. Os equipamentos de projeção são então levados para a casa deste último, que aproveita as ferramentas e filmes de que dispunha e promove, já na década de 1950, um cinema em sua casa: O cinema da Rampa.

O fio da memória desta narrativa é costurado pelo próprio Pedro Mendonça, filho do grande entusiasta do Cine Marica, Sr. Pedro Paulo Pereira, que exerceu o ofício de sapateiro na cidade. Funcionando na Rua Ribeiro de Almeida, Nº 92, o prédio do Cine Maricá tinha a dupla função de cinema e teatro e nele realizaram-se até mesmo casamentos, além de show de calouros e diversas atividades culturais e políticas. Segundo Sr. Pedro, o cinema de seu pai era o único lugar no centro que mantinha a luz elétrica acesa depois que o gerador da cidade era desligado. Na frente do cinema havia um único poste de luz, que quando se acendia iluminava a Rua Ribeiro de Almeida por onde passeavam os casais, como mariposas atraídas pela luz.

Sr. Pedro Mendonça trabalhou no cinema do pai como projecionista desde os 13 anos, recorda que a sala comportava cerca de 250 lugares e que mesmo assim, quando havia projeção de algum filme nacional, como aqueles protagonizados por Oscarito e Grande Otelo, precisavam pedir cadeiras emprestadas aos vizinhos e por vezes fazer mais de uma exibição devido ao grande número de espectadores. Lembra também com alguma graça que quando acontecia de os filmes arrebentarem durante a projeção era necessário ser rápido em remendá-los para acalmar os ânimos do público.

Para manter as exibições era preciso se deslocar até a Capital, no Rio de Janeiro, numa época em que ainda não existia a ponte Rio - Niterói, ou seja, os exibidores saiam de Maricá, pegavam trem até Niterói e depois tomavam a barcaça para chegar até as distribuidoras na Cinelândia, como a Fox, RKO, Metro Gold. Os filmes de ação americanos faziam sucesso pelo bang-bang, mas o público preferia as comédias nacionais por se identificarem com os personagens e também por não ter de ler as legendas.

*Esta pesquisa foi realizada a partir de entrevistas, matérias de jornais e pesquisa bibliográfica que compuseram um primeiro conjunto de informações expostas aqui. Caso queira contribuir com sugestões, novos dados ou lembranças que acrescentem ou retifiquem algum dado, entre em contato por aqui. 

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